Isaquias caminha para, em breve, ser o maior nome da história do esporte olímpico brasileiro

Com o título do domingo, brasileiro chega a 12 medalhas em Campeonatos Mundiais, soma três pódios olímpicos e ainda deve ter, ao menos, dez anos de carreira

Com o perdão do trocadilho, pelo andar da canoagem, Isaquias Queiroz vai se tornar o maior atleta olímpico da história do Brasil. Com apenas 25 anos de idade, e pelo menos mais dez anos de carreira em alto nível, o baiano caminha, digo, rema, para passar estrelas como Robert Scheidt, Cesar Cielo, Ana Marcela Cunha e Sergio “Escadinha”.

No Mundial, encerrado na última semana, Isaquias conquistou o título da prova do C1 1000m e foi bronze, ao lado de Erlon Souza, no C2 1000m. Agora, são doze medalhas dele em Mundiais, seis ouros e seis bronzes. O resultado empolga para a Olimpíada de Tóquio 2020, já que essas duas distâncias serão disputadas nos Jogos. Ele chegará com grandes chances de ir ao pódio duas vezes.

Atualmente, Isaquias Queiroz tem três medalhas olímpicas, duas pratas e um bronze, todas conquistadas na Rio 2016.

Como comparação, os maiores medalhistas olímpicos da história do país são Robert Scheidt, da vela, com dois ouros, duas pratas e um bronze, e Torben Grael, também da vela, com dois ouros, uma prata e dois bronzes. Serginho, do vôlei, tem um pódio a menos, quatro, com dois ouros e duas pratas.

Ou seja, Isaquias pode igualar esse trio se conquistar duas medalhas em Tóquio. Vale lembrar que Serginho e Grael não irão aos Jogos como atletas, mas Scheidt tentará sua sexta medalha.

Ao que tudo indica, Isaquias terá mais três Olimpíadas pela frente. A do ano que vem, quando terá 26 anos. A de 2024, com 30, e a de 2028, com 34 anos. Na canoagem, é comum um atleta com esta idade seguir se destacando. Com isso, não é exagero dizer que ele pode chegar até a nove pódios em Olimpíadas.

Falando em Campeonatos Mundiais, que na canoagem acontecem todos os anos, menos naqueles com Olimpíada, ele pode ter mais seis edições. Se seguir a média dos últimos anos, pode dobrar os 12 pódios que possui até o momento, chegar a 24, e deixar para trás qualquer outro brasileiro de qualquer modalidade.

Vale a lembrança é que difícil comparar esportes diferentes. Na canoagem é possível conquistar duas ou três medalhas em uma mesma edição de Mundial ou Olimpíada, enquanto no vôlei e na vela, é um pódio por edição. Por outro lado, a vela é um esporte em que atletas com mais de 50 anos continuam se destacando (dependendo da classe), enquanto isso é impossível na canoagem.

Isaquias é um caso raro na canoagem. Na Olimpíada, por exemplo, foi ao pódio na prova de 200 metros e dos 1000 metros, algo como um nadador ganhar medalha nos 50m e 400m livre, ou um corredor se destacar nos 100m e 1500m rasos. A prova de 200 metros não faz mais parte do programa olímpico, o que reduz de três para duas as chances de pódio na Olimpíada.

No fim do ano passado, seu técnico, o espanhol Jesus Morlan, faleceu, vítima de um câncer. Ele era, além do melhor treinador do mundo, um pai para Isaquias. O baque com a tragédia poderia trazer uma natural queda de rendimento. Mas não, o baiano seguiu com um nível altíssimo.

Outra informação que traz ainda mais relevância para tudo que Isaquias tem feito e ainda vai fazer: ele abriu as portas da canoagem no país. Cesar Cielo, Robert Scheidt, Ana Marcela e todos outros grandes atletas do país são de uma modalidade que já tinha uma certa tradição no país.

É impossível prever o futuro. Mas a tendência é que Isaquias Queiroz se torne o maior atleta da história do país.

Que venha Tóquio 2020, que venha Paris 2024, que venha Los Angeles 2028!

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