Itacaré é destaque na revista Globo Rural

Costa do Cacau deve retomar serviços de turismo a partir de julho na Bahia

Região é uma das principais produtoras de cacau fino do mundo

A  Região da Costa do Cacau, localizada na Bahia, se prepara para retomar os serviços de turismo a partir de julho, com base nas orientações internacionais de saúde e prevenção ao novo coronavírus, que incluem uso de máscara, oferta de álcool em gel, higienização intensificada e distanciamento entre as pessoas.

A área oferece diversos tipos de programas, desde trilhas e cachoeiras até um tour pela colheita e produção do cacau na Mata Atlântica. Lá, é possível acompanhar todo o processo de transformação da semente em chocolate durante as visitas guiadas às fazendas centenárias e até degustar o doce.

Antônio Martins de Souza Neto, funcionário do Txai Resort Itacaré, trabalha com passeios pela região há quase 20 anos e conta que a região se tornou uma das principais produtoras de cacau fino do mundo. “O cacau do sul da Bahia é classificado como cacau de origem e tem um valor diferente agregado no mercado, principalmente por conta da preservação da Mata Atlântica”, diz.

A amêndoa exige a mata original do local para se desenvolver, o que evita o desmatamento e contribui com a biodiversidade da região. “O cacau precisa de sol e sombra e, por isso, mantém o nível de preservação que a gente tem hoje”, explica Neto.

Além da importância ecológica, a amêndoa é essencial para a economia da região da Costa do Cacau. Neto explica que, apesar do maior investimento, trato e critério necessário, o cacau fino traz um valor de mercado muito maior que o usual.

“Agora, as pessoas voltam para as fazendas com visões empreendedoras e comerciais, principalmente por conta do cacau fino e gourmet”, destaca. Há alguns anos, a região chegou a produzir meio milhão de toneladas de amêndoa por ano. “Hoje, a produção é cerca de um terço disso, porém, o nível de qualidade é muito maior”, completa.

No turismo, não é diferente. Há diversas fazendas que desenvolvem seu chocolate e estão montadas para receber visitantes. Na Fazenda Vila Rosa, na cidade de Taboquinhas, a 30 quilômetros de Itacaré, é possível visitar a plantação e conhecer produtos feitos a partir do cacau. “Fazemos um roteiro que passa por todo processo de produção e, no final, há uma aula completa sobre o chocolate com degustação”, conta o guia.

Marina Rootham, da equipe de turismo do Itacare.com, explica como o cacau e o turismo se complementam na região. “A história de Itacaré está inteiramente ligada ao cacau. Temos boas fazendas produtoras de cacau, que fabricam chocolate caseiro aqui na cidade, além de pequenas lojas de produção de chocolate que se tornaram referência. Não tem como vir à Itacaré e não comer ou comprar de presente”, afirma.

O restaurante Café com Cacau, localizado em Itacaré, tem o cacau como matéria-prima de vários produtos. “Ele é essencial para nossa produção. A partir dele, fazemos nossa fabricação própria de produtos como bolos, trufas, brigadeiros, cocada, cacau caramelizado e outros”, conta Marly Katarina, chef do restaurante.

A proprietária também diz como a pandemia tem freado os negócios na região. “Não temos turistas para comprar nossos produtos. Eu espero que volte ao normal o mais rápido possível”. Apesar disso, Marly explica que o delivery tem funcionado bem durante os dias de portas fechadas. “Acabamos de ter um festival de gastronomia online que está sendo um sucesso, mas só para os moradores da região, já que não estamos recebendo turistas”, diz.

A Costa do Cacau recebe todo ano o Festival de Chocolate e Cacau, que cresce a cada edição e já conta com expositores de outros continentes. Em 2020, o festival foi cancelado em razão da pandemia de coronavírus.

Revistagloborural.globo.com

(Foto: Matias Ternes)

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